Quero comer-te as mãos




A recente OPA lançada pela SONAE sobre a PT tem contornos que ainda ninguém reflectiu e que vale a pena analisar.

Fala-se sobre o desmembramento da PT. Não tenho pena nenhuma. O preço que se paga pelas comunicações é o reflexo da elevada (?!) taxa de produtividade dos seus colaboradores.

Fala-se do valor das acções. Desde que seja para ganhar umas coroas à falta do prémio do Euromilhões, tudo é bem-vindo.

A questão de fundo é o dia de amanhã, após a SONAE comprar a PT. Todos nós sabemos que a SONAE tem um modelo de serviço ao cliente tipicamente americano. Ou seja, não existe serviço. A partir do momento que a SONAE assuma o controlo, muito boa gente vai ter de esperar pela resolução dos seus problemas. O serviço vai piorar de certeza.

Por outro lado temos o facto da elevada concentração dos serviços de telecomunicações numa única empresa. Imaginem o que é 80% dos serviços serem prestados por uma única empresa. Estão mesmo a ver que o preço do serviço vai continuar em alta. Vamos continuar a pagar muito mais pela TV Cabo, internet, voz, etc.

A questão não é servir os interesses da PT. Esta OPA não serve, isso sim, os interesses do mercado e dos consumidores.

A solução é a desintegração do grupo imposta pela Autoridade da Concorrência e a venda separada das empresas, de forma a podermos obter preços e serviço de comunicações idênticos aos praticados noutros países europeus. Mas isto nunca acontecerá, porque o estado não tira de lá o rabo e a comissão europeia bem que pode ganir, na realidade, nem o Durão pode fazer qualquer coisa pelo assunto.

Comentários

Anónimo disse…
Concordo na integra com a crónica do ligurio.
Neste país a defesa dos interesses legitimos do consumidor ( em ultima instância quem deveria importar... ) ficam sempre em segundo, ou ultimo plano.
Por outro lado é de comum senso económico os efeitos nefastos que a falta de uma saudavel concorrência pode fazer quer á economia em geral, quer naturalmente aos consumidores - qualquer que seja o ramo ou sector económico que falemos.( levando as coisas ao extremo sabemos que em alguns sectores foi durante as guerras mundiais - "concorrência ao extremo" - que se procederam enormes avanços e desenvolvimentos - ex: na area nuclear.
Já para não falarmos aqui nesta sede dos negócios feitos á portuguesa onde tudo se paga com o chamado "pelo do mesmo cão", e tudo é feito de forma escondida, pouco clara, e sempre com "influências politicas á mistura" , enfim... é o que temos.
Quando é que o Antiamba se reune para discutir estes e outros assuntos?
Um abraço - sporting

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