O Dr. Pinoquio


O Primeiro-ministro tem um perfil que não agrada a muitas pessoas. Muito duro, pragmático, obcecado, não aceita criticas (característica fundamental para ser um bom líder), pouco dado a cedências em contraste com aquilo que foi o estilo de governação de António Guterres no qual muitos de nós depositavam a esperança de resolução dos problemas do país pelo seu estilo próprio, com os resultados que infelizmente mais tarde se vieram a revelar.

O estilo de José Sócrates foi elogiado internacionalmente após o segundo ano de mandato em revistas da especialidade. Era considerado o homem necessário para por em prática as reformas que o país necessitava. Esta consideração estava relacionada com os resultados alcançados com a implementação de diversos programas de acção cujos principais pilares eram o recorrente da administração pública, o acarinhado das tecnologias de informação, o das políticas fiscais e o do investimento estrangeiro. Quando o défice foi trazido para abaixo da meta dos 3%, Portugal foi visto pela primeira vez em muitos anos como estando a traçar um caminho para passar a ser um país sério e respeitado.

Os Portugueses tinham esperança.

Depois aproximou-se a crise. Estávamos em meados de 2008.

Enquanto não foram publicados resultados concretos sobre o arrefecimento económico o governo desmultiplicou-se numa campanha de mentira. Mentiu quando afirmou repetidamente que em 2008 Portugal não ia entrar em recessão, mentiu quando apresentou um orçamento com base em pressupostos irreais – é bom lembrar que José Sócrates chegou a dar entrevistas onde defendeu que o défice iria continuar a baixar até aos 2,2% em 2009 e que o PIB não iria para valores negativos (hoje todos nós sabemos que já não vai ser assim). Antes ainda gozou (em parceira com o ministro da economia) com muitos empresários quando sob a ameaça do sufoco financeiro, dizia na inauguração da fábrica de móveis da IKEA que a abertura do empreendimento era um sinal que em Portugal existiam bons projectos empresariais em contrariedade com aquilo que se ouvia pelo país fora. Eram estes exemplos que o país necessitava.

Quando então em plena crise com instituições financeiras falidas e em plena ascendência de empresas com complicações graves e o sufoco das pessoas que de um momento para o outro se viram desempregadas pelo fecho das empresas onde trabalhavam que for força das circunstâncias foram vítimas do desinvestimento pelos grupos económicos onde se encontram inseridas ou na maior parte dos casos pelo facto de as vendas se terem evaporado, vem a segunda parte da encenação e da mentira neste caso em parceria com as instituições bancárias.

Para tal no programa Prós-e-contras cujo modelo já se encontra esgotado (deixou de ser um programa onde o consenso não existe) foi assegurado pelos quatro presidentes da banca Portuguesa que não havia nada a temer. Os bancos Portugueses eram sólidos e o estado tinha dado um aval caso algo corresse mal. Estava ainda garantido o acesso ao crédito porque apesar de existirem problemas de liquidez o facto da existência do aval e da abertura das linhas de crédito extraordinárias para apoio à tesouraria das empresas permitia que as empresas pudessem aguentar o período de turbulência que se avizinha.

Entretanto rebenta o escândalo do BPN e do BPP. É bom lembrar que no BPN o estado já injectou até esta data o equivalente para construir meio aeroporto de Alcochete. Apesar de em tribunal ainda não estar nada provado, os elementos que têm vindo a público muito pela insistência da comissão parlamentar de inquérito, evidenciam conduta criminosa na gestão dos activos bancários e práticas de gestão danosa. É difícil para um pessoa entender como José Sócrates que defendeu desde o primeiro minuto a nacionalização do banco a bem da protecção e imagem da banca não consegue garantir que o dinheiro necessário para apoiar as empresas Portuguesas é disponibilizado a quem precisa e a quem merece.

Isto vem a propósito do que se passou logo a seguir. A banca não emprestava o dinheiro que o estado tinha posto à disposição das empresas. Foi preciso o ministro das finanças Teixeira dos Santos ameaçar que o aval ira ser retirado para de imediato os fundos começarem a serem disponibilizados. Poderiam ser muitos mais caso o governo não tivesse decidido despejar o que já gastou no BPN e gasta todos os dias na ineficiente máquina do estado, onde em abono da verdade e depois de tantos programas nada mudou na administração pública.

José Sócrates tenta agora fazer esquecer que tudo existe. Para distrair as pessoas e por a opinião pública a discutir outros assuntos sem qualquer relevância para o cenário actual foi buscar as ideias do casamento homossexual, da eutanásia. Até inventou um chavão do PCP com o aumento dos impostos às famílias afluentes. Tal como uma criança apanhada a mentir que tenta distrair o inquisidor com outro tema de conversa.

José Sócrates quando envolvido no caso freeport obrigou (não consigo pensar noutra palavra) o ministério público a desdobrar-se em entrevistas afirmando que o Primeiro-ministro não era suspeito de coisa nenhuma.

Este tipo de actuação já tinha acontecido anteriormente quando se pôs em causa a autenticidade da licenciatura em engenharia obtida. Agora também já se fala de uns projectos de origem duvidosa que assinou para a câmara da Guarda. Para José Sócrates tudo isto não passam de campanhas, de mentiras de coisas orquestradas contra a sua dignidade para por em causa a credibilidade com o homem capaz de conduzir os destinos do país.

No fundo como vimos o que existe é um problema grave de trabalhar com transparência e eu tenho muita convicção, aliás como a maior parte das pessoas que José Sócrates é uma pessoa por princípio mentirosa e essa qualidade é a última que o povo aprecia num Primeiro-Ministro.


PS: Muito se falou especialmente na imprensa económica aquando da nacionalização do BPN. O Governo tinha tomado uma medida revolucionária pela primeira vez após o 25 de Abril. É curioso que o PCP foi o único partido que desde o início fez forte oposição a essa medida.

Comentários

nunomaf disse…
Ainda não compreendi a razão da nacionalização do BPN e muito menos compreendo porque é que determinadas personagens envolvidas com o escândalo da SLN ainda continuam à solta. Provavelmente porque detém a chave da liberdade de muitos outros...

A nossa geração foi mal apelidada de rasca! Aquele iluminado que se ofendeu porque os estudantes mostraram o cú a quem lhes fazia ouvidos moucos, deveria era ter-nos chamado de geração "á rasca"!

Sim também me sinto desiludido. Desiludido por um lado e ironicamente feliz por outro, porque com o caminho que levamos sei que a próxima corja de ladrões que for eleita já vai ter muito pouco que roubar...

Pode ser que se comecem a roubar uns aos outros... Sempre dá para a malta aliviar o espírito, dar umas gargalhadas e ir esquecendo a crise!

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