A opção

O governo anunciou nesta semana um protocolo com a Renault Nissan para a massificação de carros eléctricos em Portugal em 2010.
Esta medida se for implementada será talvez uma das mais importantes medidas que algum governo Português tomou. Irá contribuir para a redução da nossa dependência dos produtos petrolíferos, redução das emissões atmosféricas e acessibilidade a um meio de transporte relativamente barato – os carros a comercializar serão carros citadinos, cuja carga fiscal será nula (o primeiro ministro já queria aplicar 30% de imposto automóvel, quando de acordo com o actual enquadramento legal este tipo de veículos é nula), por último irá contribuir para melhorar o a qualidade vida dos Portugueses uma vez que a fatia do orçamento familiar destinada a combustível será dramaticamente reduzida.
Podia-se equacionar a opção pelo eléctrico em detrimento do hidrogénio ou outras opções como biocombustíveis, mas é melhor tomar uma opção em detrimento de nenhuma.
Portugal posiciona-se como dos primeiros países a assumir um compromisso para utilização de veículos automóveis sem utilizar combustíveis fosseis, outro dos países precursores foi a Islândia, mas neste caso a solução adoptada foi o hidrogénio.
Se Portugal quiser manter esta aposta terá de não cair na tentação de mais tarde aumentar a carga fiscal para compensar a perda de receitas devida ao decréscimo das vendas dos veículos convencionais. A isenção do imposto é um factor determinação para mudar a mentalidade do consumidor. O imposto só faz sentido que seja aplicado a veículos poluentes, caso contrário, não existe equidade na aplicação do imposto. Outra questão importante que pode comprometer a adopção deste tipo de veículos é a tão falada rede de distribuição de energia a criar para o carregamento das baterias destes veículos. Há um risco que pode inviabilizar a falada massificação. As companhias eléctricas e petrolíferas ainda estão nas mãos do estado e assim continuarão até à comercialização dos veículos e a lógica de funcionamento económico destas é função do domínio que conseguem obter em mercados protegidos ou através de subsídios e compensações, esperemos que a Galp não seja depois compensada pela perda de receita e a EDP não crie um preço “especial” de venda de energia que transforme a utilização dos veículos num novo pesadelo. A Galp tem de perceber que já deveria ter investido em projectos de energia alternativas em vez de procurar apenas acesso a matéria-prima. No caso do preço da energia o governo deveria criar através da ERSE a existência de períodos durante a noite onde o preço da energia é mais barata, isto para quem pretenda carregar o carro em casa e abrir um concurso internacional para a construção da infra-estrutura de abastecimento, em vez de a entregar à EDP.

Comentários

Pilha Galinhas disse…
"No caso do preço da energia o governo deveria criar através da ERSE a existência de períodos durante a noite onde o preço da energia é mais barata, isto para quem pretenda carregar o carro em casa e abrir um concurso internacional para a construção da infra-estrutura de abastecimento, em vez de a entregar à EDP."

Caso as pessoas optem por essa opção tarifária, já existe a hipótese de a energia ser mais barata durante os períodos de vazio e de super-vazio... Se todos nós só tivéssemos de pagar a energia que consumimos, tudo estaria bem e viveríamos de certeza num paraíso fiscal.
O grande problema dos portugueses são as mil e uma taxas, as cobranças ocultas, os impostos tipo sanguessuga... A EDP cobra uma exorbitância para podermos termos acesso à energia eléctrica, isto é feito a coberto de taxas de potência, despesas de contador e tarifário, "projectos eléctricos" fictícios para ramais de baixa ou média tensão, cujas despesas de construção e fiscalização, ao contrário do que se passa nos países civilizados, são sempre suportadas pelo cliente, sob pena de demorar 8 a 10 meses a poder desfrutar da energia eléctrica. Muitas mais coisas eu poderia enumerar acerca deste tipo de empresas monopolistas, cuja única razão para existirem desta forma é darem cobertura ao objectivo vergonhoso de encher os bolsos às centenas de "boys" que se vão alapando pelos conselhos de administração das empresas públicas e à cambada de incompetentes que grassa pelos corredores e salas dos ministérios, institutos e afins.

A nós cabe-nos a triste tarefa de suportar isto tudo com um sorriso amarelo nos lábios, porque apesar de constantemente sodomizados, somos Portugueses e é "bom" viver em Portugal.

Realmente o nosso povo tem uma capacidade de sofrimento fora do vulgar!

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