A Maioria Silenciosa parte 2


Foto: Cidade do Porto, 15 de Setembro 2012, manifestação anti-governamental Porto a melhor cidade do País

Circa 1980 - "Ó mãe,  o banco paga em juros 33%!. Ó meu filho isso não é nada"

1985 - Em Trás-os-montes era normalmente possível ouvir a RDP 1. Apenas.

1994 - Assisto ao encerramento de empresas têxteis, que não conseguiram adaptar-se às alterações da abertura do mercado europeu.

2000 - "Ó Eng.! Não quer meter o carro e a mobília no crédito à habitação? "

2012 - (numa clínica privada) "Pedimos desculpa, mas não aceitamos o protocolo com a ADSE - diz a funcionaria". "Não aceitam? Mas eu não vou pagar a totalidade do exame! Então quem tem Medis, tem desconto e quem tem ADSE não pode auferir desse benefício? ".

2012 - Entro numa infraestrutura inaugurada pelo ministro Mira Amaral (dos governos de Cavaco Silva) onde as escadas não têm uso e vemos a nossa cara na pedra.

Vou resumir ao estilo de SMS (sinal dos tempos) o percurso do nosso país após a revolução do 25 de Abril.


  • A queda da ditadura foi responsável por criar uma sociedade assimétrica e um modelo económico insustentável.
  • Essa sociedade é caracterizada por uma parte da população (funcionários públicos ) ter acesso a um conjunto de direitos, como serviços de saúde mais baratos, maior período de férias, subsídios e compensações inexistentes quem trabalhava no privado.
  • Como o estado, dono e responsável pelos serviços públicos demorou décadas a melhorar os serviços, as pessoas tornaram-se brutas.
  • Entretanto no privado, as empresas, o motor de crescimento económico, foram progressivamente tornando-se obsoletas porque os gestores não tinham conhecimento nem ensejo.
  • A população transformou-se em caixa de ressonância dos autarcas que exigiram autoestradas, hospitais e universidades.
  • A educação foi transformada num número estatístico. Os alunos não foram treinados para ingressar no mercado de trabalho nem para ter espírito empreendedor.
  • Uma geração viu-se de um momento para o outro com a possibilidade de levar um nível de vida acima das suas possibilidades.
  • A sociedade deslumbrou-se com o aumento fictício do nível de vida.
  • O modelo de crescimento económico baseou-se na dependência do investimento público. Consequentemente descuramos a inovação, e a adaptação e torna-mo-nos obsoletos.
  • Agora temos um governo que quer transformar país naquilo que já fomos, um país de baixo salários, condenados a produzir bens sem valor acrescentado.
  • O atual primeiro-ministro nunca trabalhou e nunca teve experiência governativa, apesar de andar no partido desde a sua fundação. O líder da oposição igual.
  • A taxa de desemprego está acima dos 15%. Há empresas que prestam serviços de graça.


Comentários

Cadinho RoCo disse…
Vivemos em um mundo de muitas contradições. É preciso força pra aguentar tanta pressão.
Cadinho RoCo

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